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Meu lado empreendedor foi desconstruído pelo Associativismo

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Por Eduardo Broering

No artigo que publiquei semana passada, comentei por cima o impacto que tive ao participar de um movimento de jovens empreendedores da minha cidade. Inclusive sobre como me ajudou a abrir a cabeça para buscar sócios para a empresa que eu estava fundando naquele momento, a Platon.

Comentei também que mais adiante escreveria melhor sobre este assunto. Coincidentemente vi essa semana no Instagram (aproveita e segue o meu) algumas publicações de amigos relacionadas a um evento virtual comemorativo dos 27 anos de existência da ACIL Jovem – Núcleo de Jovens Empreendedores da Associação Empresarial de Lages. Então o momento não poderia ser melhor para falar sobre isso.

Neste artigo de hoje vou contar um pouco como o Associativismo me ajudou e tem me ajudado até hoje. Vou contar em detalhes como que alguns preconceitos foram quebrados e como que foi o início da minha participação neste movimento, que aos poucos, desconstruiu tudo que eu achava que sabia sobre empreendedorismo.

 

“Você tem que estar lá”

Vamos partir do início. O ano era 2013 e eu estava disposto a me entregar completamente para a recém-assumida recém-criada Platon. Uma coisa já era certa, eu precisava aprender a empreender urgentemente. Nas negociações com os primeiros clientes da empresa, dois deles, que eram jovens, me falaram sobre a ACIL Jovem. A fala dos dois era muito parecida, basicamente era “você tem que estar lá” e nada muito além disso.

Não me explicaram muito bem e por isso não entendi ao certo do que se tratava e como poderia contribuir. Sabia que era um grupo de jovens que se reuniam e que eram empreendedores. Nada além disso, mas para conhecer era quase de graça (tinha que pagar apenas o almoço no restaurante). Então lá fui eu, com aquele frio no estômago, me jogar de paraquedas na minha primeira reunião dentro do associativismo.

A primeira sensação que tive quando cheguei na reunião da ACIL Jovem era que eu não pertencia a este mundo. De cara formei um preconceito de que os jovens que estavam lá, em sua maioria, eram filhos de empresários de sucesso e não precisaram dos mesmos esforços que eu para chegar no nível que estavam. Tudo era tão formal e eloquente, o que me gerou vários preconceitos, que depois foram gradativamente quebrados, conforme contarei mais adiante.

Como contei no último artigo, sempre fui de experimentar hobby’s e atividades diferentes na minha infância e adolescência. Talvez por isso eu sabia que mesmo com este preconceito da primeira reunião, eu deveria participar de mais algumas reuniões para realmente formar uma opinião. Assim o fiz. As reuniões eram semanais e fui em algumas. Eu chegava quieto e saia calado. Mas lá estava eu, tentando entender o que estavam fazendo e tudo que falavam. Lembro que me confundia muito com as várias siglas e ações que citavam. Já nas primeiras reuniões falaram sobre a ACIL, CEJESC, FACISC, AGO, DLI e Feirão do Imposto. Era falado como se a gente soubesse o que significava. Era tudo muito difícil de entender, mas persisti.

Ainda estava muito perdido nas reuniões, mas uma coisa eu havia entendido: haveria uma viagem para participar de uma reunião similar as que eu estava participando (essas mesmo que eu ainda não entendia). Os empreendedores da ACIL Jovem falavam “você tem que estar lá”. Começo de empresa o financeiro não é nada fácil, mas contei os pilas para pagar a hospedagem e alimentação (transporte era bancado pelo núcleo) e lá fui eu para a tal da AGO (Assembléia Geral Ordinária do CEJESC – Conselho Estadual de Jovens Empreendedores) em Tubarão-SC.

Já durante a viagem, de carona com os colegas de ACIL Jovem, todos meus preconceitos foram rapidamente quebrados. A visão que eu tinha de que eles tinham vida fácil no empreendedorismo estava completamente errada. Até mesmo aqueles que eram sim filhos de empresários, contavam durante a viagem os grandes desafios que tinham para empreender com seus familiares. Tudo de forma muito informal, ao contrário das reuniões. Muita piada no caminho e muito papo bacana fluindo. Ali comecei a dar minhas primeiras palavras dentro da ACIL Jovem e aos poucos fui me soltando e me sentindo parte deste grupo.

Chegamos na AGO, que era um evento de dois dias (quinta e sexta-feira), e o primeiro dia era muito descontraído. Fui pego de surpresa, e ainda que de forma tímida, tive acesso a outros empreendedores do Estado todo. Todo mundo batendo papo, confraternizando e me ajudando a destravar. Depois de um pouco de confraternização, fomos para um bar, e com algumas cervejas comecei a entender o quanto eu estava errado sobre tudo. Haviam muitas pessoas com coisas muito em comum comigo, mesmo que em fases e circunstâncias diferentes.

Comecei a perceber que aquele grupo, em sua grande maioria, me representava. E posso dizer que essa viagem foi um dos grandes acertos da minha trajetória dentro da Platon. Ela abriu a minha mente, me quebrou preconceitos, e fez começar um processo de mudança que era essencial para o crescimento da Platon e principalmente para o meu desenvolvimento como empreendedor. Inclusive foi aqui que comecei a perceber a necessidade de ter sócios na minha trajetória. Realmente comecei a ser desconstruído.

Ainda na AGO, na sexta-feira fomos para visitas técnicas em empresas pela manhã, e a tarde a formalidade voltou a tomar o rumo do evento. A assembléia em si era bastante formal, mas agora eu já não estava preocupado. Eu fazia parte daquilo (desde o dia anterior) e tudo começava a fazer sentido. A formalidade era necessária para que houvesse representatividade. Para que os empresários mais antigos, representantes de entidades e forças políticas pudessem olhar com respeito para estes jovens empreendedores.

A partir de Tubarão, usei a ACIL Jovem como uma escola. Busquei sugar ao máximo das pessoas que eu estava tendo acesso. Perdi os preconceitos e tentei entender todos os desafios dos colegas empreendedores e como estavam resolvendo-os, independentemente de sua formação familiar. Comecei a ter empatia e entender que as minhas dificuldades não eram inferior e nem superior a de ninguém. Dificuldade é sempre um desafio e sempre terá que ser resolvido. Estas assembleias (AGO’s) eram mensais e itinerantes, cada mês em uma cidade diferente do estado. Já entendendo pra que ela servia, dentro das minhas limitações financeiras de início de empresa, comecei então a participar dessas viagens e conhecer mais e mais pessoas.

Quando me dei conta, eu estava começando a falar nas reuniões semanais. Estava participando ativamente e tentando ajudar nos projetos que eram tocados, como Feirão do Imposto e a própria organização da AGO de Lages, que seria sede de um dos eventos mensais daquele ano. Algumas das minhas falas nas reuniões eram sobre as AGO’s e como tinha impactado pra mim. Como era sempre a minoria das pessoas que de fato viajavam para a AGO, me senti na obrigação de tentar levar mais pessoas para participar pela experiência que eu estava passando. Quando me dei conta, eu me tornei a pessoa que falava “você tem que estar lá”.

Eu ainda estava entendendo muitas coisas, mas já tinha entendido que o núcleo era um lugar para eu fazer entregas, que automaticamente receberia muito em troca. As entregas as vezes eram apenas palavras, outras eram cadeiras puxadas em algum evento, por exemplo. Mas ambas as formas de entrega eram importantes e agora eu fazia parte daquele grupo de pessoas que tive preconceito na primeira reunião.

Conforme os anos foram passando, fui aprendendo várias coisas com as responsabilidades que fui assumindo dentro do movimento. Tive a honra de liderar líderes em algumas ações, e de enfrentar meus medos de comunicação. Não demorou muito, por exemplo, para eu estar falando ao vivo na TV e em algumas rádios, representando a ACIL Jovem no Feirão do Imposto, que é uma das importantíssimas ações executadas anualmente pelos núcleos de jovens empreendedores do Brasil todo.

Fui aos poucos entendendo a dimensão do associativismo e fazendo muitos amigos no meio do caminho, de todos os cantos de Santa Catarina. Tive a oportunidade e o prazer de conhecer de verdade o meu Estado através das AGO’s. Pude entender as dificuldades e talentos dos empreendedores de cada região. Do extremo-oeste ao litoral, de norte a sul. E não esquecendo é claro da minha região, a Serra Catarinense, que nem ela eu conhecia apropriadamente.

Cada viagem que fazíamos, eram consultorias gratuitas que tínhamos do início ao fim. Troca de experiência real e sem pudor. Papos que as vezes duravam 8 ou 9 horas direto, dependendo da distância da cidade daquele mês. Eu costumava brincar nas reuniões que só o trajeto da viagem já valia a pena. Poderia ir e voltar e nem ter o evento, que era também recheado de capacitação.

Muitos dos primeiros clientes da Platon vieram através do associativismo, mas eu nunca fiz divulgação forçada. Aos poucos no associativismo, as pessoas vão conhecendo você pelo trabalho que você entrega como voluntário, e automaticamente te buscam para contratar os seus serviços. É uma relação de confiança muito bacana que gera entre o grupo. E não há limites. O núcleo de Lages é interligado com o movimento estadual, como já citei antes. E o movimento estadual é interligado com o movimento nacional. E por incrível que pareça, o movimento nacional é ligado ao internacional. Então o limite é você quem define. Até onde você quer ir no associativismo?!

A resposta para a pergunta do parágrafo anterior não tem certo ou errado. É aquilo que você sente que consegue entregar e receber. Tem que estar sempre ligado aquilo que sua empresa faz. Por exemplo, se o seu negócio é local e você não tem pretensão de expandir para outras cidades, talvez não valha tanto a pena se envolver nacionalmente e/ou internacionalmente. Mas é claro que a experiência sempre vai ser importante para te ajudar inclusive a definir o rumo do seu negócio. O importante é participar, em algum lugar, seja municipal ou estadual, nacional ou internacional. Você tem que estar lá!

 

O associativismo continuará para sempre na minha vida

Eu não pretendia que este artigo ficasse extenso, mas não é fácil falar do associativismo em poucas palavras. Eu poderia falar muito mais sobre todos os movimentos que participei e que continuo participando.

Tive a grande honra inclusive de ter coordenado a ACIL Jovem no ano de 2017, e posso garantir que aprendi muito nesse processo. Liderar líderes não é algo fácil e não é algo que se tem a oportunidade de fazer em qualquer lugar. Tudo que aprendi na ACIL Jovem, pude colocar em prática na Platon de imediato. E mesmo eu não estando mais na Platon hoje, o conhecimento permanece para que seja aplicado nos meus novos negócios.

Hoje já considero que encerrei meu ciclo no núcleo jovem, mas serei eternamente grato a este grupo. Permaneço atuante no Núcleo de Tecnologia e Inovação da ACIL e no CENI – Conselho Estadual de Núcleos de Inovação. Continuo aprendendo muito com as pessoas destes grupos, mas mesmo quando ou se um dia eu me afastar destes movimentos por algum motivo, o conhecimento adquirido pelo associativismo e as amizades conquistadas estarão sempre ao meu lado em todos os caminhos que eu seguir na minha vida. Isso é o mais bacana.

Para finalizar, se eu puder resumir este texto de alguma forma que você grave ele e lembre por dias até que coloque em prática a sua participação em algum destes movimentos, eu diria: você tem que estar lá!

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